O megainvestidor norte-americano Warren Buffett dizia que a volatilidade do mercado financeiro é o mais supremo aliado dos verdadeiros investidores. Há, no entanto, muitos analistas que relacionam bons investimentos com baixa volatilidade. Mas, afinal, flutuação nos preços dos ativos é bom ou ruim?

Se você está entrando agora no universo dos investimentos, este artigo vai ajudá-lo a compreender o que é volatilidade, qual seu real papel no desempenho de suas aplicações financeiras e, por consequência, no seu processo de enriquecimento!

O que é volatilidade?

Volatilidade é a referência estatística que indica a frequência e a intensidade das oscilações de um ativo na linha do tempo. Trata-se de uma medida do risco, uma vez que quanto mais um ativo flutua (maior desvio-padrão), maiores as possibilidades de sua rentabilidade não alcançar os patamares esperados.

Um exemplo prático: existem algumas ações na bolsa de valores que são popularmente chamadas de “micos”. Tratam-se de ativos com baixo volume de negociação diária, com preços que costumam ficar na casa dos centavos e que, geralmente, referem-se a empresas em recuperação judicial.

Estes ativos possuem, entre as suas características mais visíveis, a extrema flutuação de preços. Quem não se lembra do episódio conhecido como “Bolha do Alicate”, em que as ações de uma fabricante de alicates e tesourinhas valorizaram 2.500% em 2011?

Alguns meses depois, o valor dos ativos despencou na mesma velocidade, levando muitos investidores desavisados à penúria. A questão é que alguns prendem seus olhos apenas na rentabilidade, ignorando análises de risco e retorno. O que isso tem a ver com volatilidade? Tudo.

Qual a relação entre risco e volatilidade?

A correlação entre essas duas variáveis é bastante íntima. A regra geral de negociação na sociedade é comprar algo mais barato e vender mais caro. O mesmo ocorre no mercado financeiro. Acontece que quanto maior a amplitude potencial na variação do preço de um ativo, maior a chance de lucro — e também de perdas.

Por exemplo, os investimentos em renda fixa são os preferidos do brasileiro porque, embora as possibilidades de retorno sejam menores do que na renda variável, as flutuações nos valores desses ativos costumam ser também bastante modestas. Isso vale para títulos do Tesouro Direto, CDB, LCI/LCA e até a caderneta de poupança (que, apesar do baixo risco, possui o pior retorno entre os ativos de renda fixa).

Por outro lado, quem tem perfil mais arrojado, boa tolerância ao risco, reservas financeiras mais satisfatórias, profundo conhecimento do mercado e metas mais ousadas de rentabilidade, pode preferir lidar com ativos de renda variável (como ações, derivativos, câmbio etc.). A questão é que, neste terreno, a oscilação dentro de um mesmo dia pode ultrapassar os 10%, o que amplia as possibilidades de perdas mais agressivas.

Mais um exemplo do poder dessa flutuação ao longo do tempo: impulsionadas pelos problemas de gestão e escândalos políticos, as ações preferenciais da Petrobrás (Petr4) apresentaram, entre 20/10/2016 e 20/09/2017, cotações que variaram de R$ 18,20 (23/10/2016) a R$ 11,64 (21/06/2017).

Considerando apenas estes 8 meses (outubro/2016 a junho/2017), estamos falando de uma oscilação da ordem de 37% para baixo. A volatilidade pode ser um instrumento de enriquecimento do investidor, mas é preciso muito estudo, diversificação de carteira e o auxílio de uma assessoria de investimentos.

Quais são os tipos de volatilidade?

Ao estudar a volatilidade, você se deparará com 3 tipos diferentes: volatilidade histórica, implícita e real.

Volatilidade histórica

Trata-se da flutuação já conhecida pelo mercado. Ela é calculada usando como base todas as cotações de um mesmo ativo dentro de um determinado período. Fincado no passado, esse indicador é mensurado a partir do desvio-padrão da variação histórica do preço do ativo.

Volatilidade implícita

Referencial muito utilizado no cálculo do preço de opções, a volatilidade implícita está voltada para o futuro, ou seja, é a estimativa da volatilidade que tende a ocorrer. Para chegar a esta perspectiva, são utilizados dados sobre o preço do ativo no mercado futuro ou de derivativos.

Volatilidade real

Também conhecida como volatilidade futura, diz respeito à variação efetiva do preço do ativo no mercado futuro. Uma vez que o contrato neste mercado alcance seu vencimento, a volatilidade passa a ser histórica.

Existem diversas formas de calcular cada uma dessas perspectivas de volatilidade. Para efeitos didáticos, vamos mostrar o cálculo da mais famosa, a volatilidade histórica.

Como calcular a volatilidade histórica dos investimentos?

Atualmente, existem diversos aplicativos que fazem automaticamente o cálculo da volatilidade histórica. Da mesma forma, quase todas as plataformas Home Broker trazem a funcionalidade de mensuração deste indicador.

Entretanto, é possível que você queira calcular a flutuação de ativos que não são comercializados na bolsa de valores. Neste caso, é importante conhecer, ainda que de forma básica, a técnica para chegar a esse dado.

O primeiro detalhe a que você deve atentar-se é que a base histórica será sua matéria-prima, o que exige a chamada “calibragem” (quanto mais ampla for a base de cálculo, mais preciso será o resultado).

Em segundo lugar, vale a pena destacar também que a forma mais rápida/fácil de calcular essa variável é por meio do Excel. Dessa forma, abra uma planilha e liste, na coluna A, todas as datas que você deseja como base de cálculo da volatilidade (de forma regressiva). Vamos supor que estejamos lidando com as cotações de uma ação da Vale.

Em seguida, insira, na coluna B, todas as cotações, com base no fechamento de cada pregão. O próximo passo é calcular, na coluna C, a variação do preço do ativo com base no dia anterior. Divida, portanto, o valor do dia mais atual pelo valor do dia menos atual (valor de hoje dividido pelo de ontem).

Por exemplo, se na data de 24/6/2017 (linha 2) você tem fechamento a R$ 33,03 e, em 23/6/2017 (linha 3), fechamento em R$ 32, 71, ao dividir um valor pelo outro será possível chegar a uma taxa de variação diária de 1,0097. Reproduza este raciocínio em todas as linhas da coluna C.

A etapa seguinte, mais complicada, diz respeito a encontrar o logaritmo dessa variação que você acabou de conseguir. Desta forma, na coluna D, digite =LN, seguido de parênteses com a indicação da célula da variação correspondente. Por exemplo, =LN (C2). Você chegará ao log da variação correspondente. Repita o procedimento em todas as células da coluna D.

Log descoberto em cada variação, é necessário encontrar o desvio-padrão, que deverá corresponder a todo o período de estudo. Digite “=DESVPAD” na primeira célula da coluna E seguido de parênteses com a indicação de todas as células da coluna do logaritmo. Por exemplo, =DESVPAD (D2:D30). Você terá, em uma única célula, todo o desvio-padrão do período estudado.

Ufa! Chegamos quase ao final. Agora só falta anualizar o resultado para descobrir, enfim, a volatilidade histórica no período de um ano. Para isso, você deverá multiplicar o desvio-padrão pela raiz de 252 (quantidade de dias úteis no ano). Digite na coluna F “=célula do desvio-padrão*RAIZ(252)”. Por exemplo, =E2*RAIZ(252).

Se você chegou até aqui, parabéns! Você certamente está visualizando um número decimal que, ao ser transformado em porcentagem, lhe dará a volatilidade histórica anual de seu ativo. Útil, não?

Agora que você compreendeu o que é volatilidade, como ele impacta seus investimentos e como calculá-la, compartilhe nosso conteúdo nas redes sociais!

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