Imagine que você está há dias perdido no deserto, sentindo-se fraco e morrendo de sede. Você então faz um furo no solo e, em vez de água, encontra petróleo. Que sorte, você está rico, certo? Errado!

A dificuldade em “monetizar” sua descoberta faz dela quase inútil para você nesse contexto — isso quer dizer que, na prática, você provavelmente vai continuar morrendo de sede. Adiantou ter achado petróleo?

Por isso, a liquidez de um investimento é essencial. Assim como na analogia do deserto, estar repleto de investimentos rentáveis e não ter nenhuma possibilidade de resgatar sua aplicação em caso de necessidade pode colocá-lo em apuros quando você mais precisar.

Se você ainda está iniciando sua jornada rumo à independência financeira e não conhece bem os termos do mercado financeiro, este texto explicará o que é liquidez em investimentos e como ela se relaciona com o sucesso de suas aplicações! Confira!

O que é liquidez

Liquidez refere-se ao grau de facilidade que um ativo tem em ser convertido em dinheiro, sem perda significativa de seu valor no ato da transação. Quanto mais rápida for essa conversão, mais líquido esse ativo será.

Perceba que rentabilidade não é a única variável para analisar ao começar a investir. A importância da liquidez em investimentos é proporcional à solidez financeira do investidor.

Ou seja, se estivermos falando de um investidor com poucos recursos disponíveis, com emprego instável e necessidades financeiras de curto/médio prazo, pensar em investir em um ativo com alta liquidez é fundamental (caso dos títulos do Tesouro Direto, por exemplo).

Por outro lado, se estivermos tratando com um investidor mais experiente, com grande capital acumulado/diversificado, além de foco no longo prazo, o fator liquidez se torna menos imprescindível (dissemos “menos imprescindível”, não inútil, ok?).

A um investidor com esse perfil, não seria nenhuma irresponsabilidade investir, por exemplo, em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Para que serve a liquidez

Por mais precavido que seja o investidor, é preciso começar a investir sabendo que eventualidades podem desviá-lo de seus objetivos. Algumas delas são:

  • viagem a um país estrangeiro;

  • gravidez não planejada;

  • perda de emprego;

  • falecimento de um ente querido;

  • acidentes;

  • surgimento de uma oportunidade imperdível de comprar um imóvel.

Liquidez é a garantia de que o investidor pode entrar e sair do mercado com rapidez em quaisquer das situações elencadas acima. É preciso lembrar, ainda, que ativos com baixa liquidez são mais sensíveis a manipulações por parte dos “tubarões do mercado” (investidores institucionais).

Como funciona a liquidez em investimentos

Vamos a alguns exemplos de como funciona o resgate de suas aplicações em alguns dos ativos mais conhecidos do mercado:

Liquidez imediata (D+0)

O valor aplicado pode ser resgatado imediatamente. O exemplo clássico é, evidentemente, a caderneta de poupança.

Liquidez diária (D+1)

O valor aplicado entra em sua conta-corrente no próximo dia útil. É o caso dos títulos do Tesouro Direto.

Liquidez mensal

Existem alguns fundos de investimentos em que os recursos do investidor só caem em sua conta-corrente após 30 dias da solicitação do resgate.

Liquidez apenas no vencimento

O valor pode ser recebido (sem prejuízos por conta da solicitação de resgate) apenas no vencimento da aplicação. Alguns investimentos podem prever pagamento apenas parcial da remuneração caso o resgate seja feito antes do vencimento.

É o caso, por exemplo, das LCIs/LCAs (Letras de Crédito Imobiliário/do Agronegócio), com vencimento mínimo de 2 anos e cujos valores aplicados foram solicitados em menos de 1 ano.

Quer entender o risco de não se atentar à liquidez em investimentos? Vamos responder a esse questionamento relembrando um famoso caso ocorrido há alguns anos no mercado de ações nacional. Acompanhe!

O que a “Bolha do Alicate” tem a ver com liquidez

Entre 2010 e 2011, o valor das ações da Mundial (fabricante gaúcha de alicates) disparou repentinamente na Bovespa, sem que houvesse qualquer explicação racional para isso. De R$ 0,23, em março de 2011, os ativos da Mundial saltaram para R$ 7,01, em julho, representando valorização de nada menos do que 2.950%!

O volume de negociações (antes, escasso) também foi elevado exponencialmente, chegando a superar gigantes como Vale e Petrobras.

Em meio à euforia crescente de milhares de pequenos investidores, que migravam para os papéis da empresa sem olhar para seus fundamentos (nada animadores), a chamada “Bolha do Alicate” teve um fim melancólico e veloz.

De um minuto para o outro, o valor das ações despencou irreversivelmente, levando à penúria inúmeros investidores desavisados. O que houve? Fraude, que só foi possível porque a baixa liquidez das ações da empresa permitiu que um megainvestidor manipulasse os preços dos ativos.

A chamada “Bolha do Alicate” é um exemplo de que é preciso ter cautela com ativos de liquidez exageradamente baixa, já que eles ficam mais vulneráveis a distorções como essa. Observar a liquidez em investimentos é fundamental.

Como a liquidez de um investimento se relaciona com os objetivos do investidor

Embora não seja uma regra, há alguns exemplos no mercado financeiro de investimentos de baixa liquidez com alta rentabilidade — assim como aplicações muito líquidas com baixo potencial de retorno. Assim, o perfil de risco do investidor e seus objetivos dirão a melhor forma de compor sua carteira.

Quanto mais alta a idade do investidor, por exemplo, maior a necessidade de ter uma alta proporção de ativos com boa liquidez. Da mesma forma, à medida que o patrimônio acumulado se expande, torna-se possível pensar menos na liquidez em investimentos.

O ideal, entretanto, é que haja um balanceamento entre ativos de alta liquidez e outros com liquidez um pouco menor (mas nada exagerado, como ocorre nos chamados “micos” da Bolsa).

Exemplos de investimentos com diferentes características de liquidez

  • Poupança: oferece liquidez imediata;

  • Títulos do Tesouro Direto: desfruta de liquidez diária (o Tesouro Nacional recompra os títulos diariamente);

  • CDB: depende. Os CDBs costumam ter liquidez diária, mas essa facilidade costuma impactar a rentabilidade. Existem CDBs que só podem ser resgatados no vencimento e outros em que a remuneração aumenta proporcionalmente ao tempo de aplicação;

  • LCA/LCI: a liquidez é uma das poucas desvantagens das Letras de Crédito Imobiliário/do Agronegócio, uma vez que o título só pode ser resgatado no vencimento (os valores investidos não podem ser movimentados até lá);

  • ações: a liquidez varia de acordo com o ativo. As ações das chamadas blue chips (ações mais valorizadas da bolsa, de empresas com bons fundamentos, líderes em seu ramo) podem ser vendidas em alguns segundos. Já os “micos” (ações de empresas falidas/em recuperação judicial) podem ficar encalhados em sua carteira por dias ou meses.

  • imóveis: liquidez imprevisível. Especialmente em momentos de retração econômica, a venda de um imóvel pode demorar meses ou até anos;

  • CRAs: os Certificados de Recebíveis do Agronegócio são títulos de crédito emitidos por empresas securitizadoras ligadas a projetos no agronegócio. São isentos de IR e IOF para pessoas físicas, costumam ter ótima remuneração, mas apresentam baixa liquidez.

Agora que você sabe mais sobre liquidez em investimentos, que tal conhecer como montar uma carteira adequada ao seu perfil e fazer as melhores escolhas no mercado financeiro? Até breve!

 

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