Todo investidor busca sempre maximizar a rentabilidade de seus investimentos. Porém, de nada adianta aplicar seu dinheiro em um ativo que renda, por exemplo, 10% ao ano, se os preços no mesmo período aumentaram 12%. Neste caso, mesmo com uma taxa considerada “alta” pelo mercado, a rentabilidade real da aplicação é negativa. O investidor estaria perdendo dinheiro, pois todo poder de compra do seu dinheiro será corroído pela inflação.

Isso significa que avaliar investimentos apenas pelas taxas elevadas que ele oferece é um erro grave para quem quer investir corretamente. É mais do que importante saber qual é a rentabilidade real, ou os juros reais que uma aplicação terá.

Para entender melhor como os juros reais são calculados e como eles podem interferir nos seus investimentos, confira nosso artigo de hoje!

Explicando o conceito de juros reais

Vamos começar por um exemplo: suponha que foram aplicados R$10.000 em um título do Tesouro Direto com o prazo de vencimento de um ano. O título pagará juros de 13% ao ano — ou seja, o investidor vai obter R$1,130 de rendimento, recebendo o valor total de R$11.300 no final da aplicação.

Ao mesmo tempo, a inflação da economia nesse mesmo período de um ano foi de 10,5%. Ou seja, o preço médio dos bens e serviços na economia subiu 10,5%. Com isso, o rendimento real de R$1,130 que o Tesouro Direto entregou foi menor que os 13% anunciados, pois a base monetária da economia já não é a mesma depois de um ano. O poder de compra da moeda caiu, já que você vai precisar de R$113 para comprar o que era comprado com R$100 há um ano.

Portanto, para encontrar o rendimento real da aplicação, será necessário descontar o efeito distorcido que o aumento dos preços causou na economia durante o período.

Será esse rendimento que chamaremos de juros reais. Ele é um valor relativo, que existe ao relacionarmos o valor absoluto da taxa anunciada (também chamado de juros nominais) com a variável da inflação, mostrando de fato se a aplicação é rentável de verdade.

Calculando os juros reais

Os juros reais são calculados pela seguinte fórmula:

Juros Reais = [(Taxa de Juros Nominais + 1)/(Taxa de Inflação + 1)] – 1

Por isso, no exemplo dado acima, os juros reais seriam na verdade de apenas 2,26% ao ano, pois:

(1,13/1,105) – 1 = 0,0226

Percebe-se que, quando taxa de juros foi maior do que a inflação, os juros reais são positivos e a aplicação tem rentabilidade positiva. Isto significa que a aplicação financeira não só está protegendo o poder de compra do dinheiro, como também está proporcionando o seu crescimento. Da mesma forma, se a variação dos preços for maior do que os juros nominais, isso significará prejuízo e desvalorização em termos reais.

Como os juros interferem na economia e nos investimentos

Influência da economia

A taxa de juros é um dos elementos principais da economia de qualquer país. Como os juros representam o custo do dinheiro, será a taxa de juros que ditará o ritmo do crédito em uma economia.

Logo, uma taxa de juros real elevada significará menos dinheiro circulando, poucos empréstimos, baixo nível de consumo, e, consequentemente, uma dificuldade maior para a economia crescer. Ao mesmo tempo, uma taxa de juros real baixa significará um maior nível de consumo agregado e de investimentos produtivos.

A inflação, em tese, pode ser controlada pelo nível dos juros. O governo, como formulador das políticas econômicas, tem o poder de influenciar a taxa de juros praticada no mercado. Ao aumentar a Selic — considerada a taxa básica de juros da economia —, o governo consegue atrair investimentos para os títulos públicos, diminuindo a disponibilidade de dinheiro no mercado e abaixando a inflação.

Porém, muitas vezes, esse arranjo pode sair do planejado, levando a economia a um cenário de estagflação, onde tanto os juros quanto a inflação estão elevadas.

Influência nos investimentos

A atratividade dos investimentos também é completamente influenciada pela taxa de juros. Aplicações na renda variável, por exemplo, sofrem impacto direto da variação dos juros reais praticados no mercado.

Se a taxa está alta, parte dos investidores vendem seus ativos na bolsa para aplicar em renda fixa, forçando uma queda de preços no mercado das ações. Da mesma forma, uma queda na taxa de juros deixa os investimentos de renda variável mais atrativos e menos capital é investido na renda fixa.

Adicionalmente, o nível dos juros reais também interfere de forma direta no mercado de crédito e empréstimos. Um juro real alto deixa o capital mais custoso e menos acessível. Isso influencia diretamente as decisões dos agentes econômicos, pois desestimula os investimentos na cadeia produtiva e o consumo agregado da população. Logo, juros reais elevados interferem diretamente no desempenho da economia e prejudicam o seu desenvolvimento.

Juros reais no Brasil

Em nenhum outro lugar do mundo se ganha tanto dinheiro na renda fixa como no Brasil. Isso tudo porque o Brasil ocupa a posição de maior taxa de juros reais do mundo — o que quer dizer que vivemos no pior país do mundo para tomar empréstimos, fazer financiamentos e dever dinheiro para bancos. Ao se endividar, um brasileiro estará em sérios apuros.

Ao mesmo tempo, somos o melhor país investir dinheiro com aplicações conservadoras e de baixo risco. Investindo em títulos públicos através do Tesouro Direto ou em outras opções de renda fixa, como o CDB, ou LCI/LCA, é possível conseguir no Brasil rendimentos nominais próximos de 14,25% ao ano, que é o valor da taxa Selic. Ao descontar a inflação, chegamos a uma taxa de juros real de 4,44%. Tudo isso com total segurança e quase nenhum risco.

Para comparação, em países de economia desenvolvida como Alemanha, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido, o investidor não consegue ganhos nominais em renda fixa acima que 0,5% ao ano. Ao retirar a inflação, a taxa de juros normalmente chega a ser negativa nesses países.

É possível investir R$ 100.000 em títulos públicos no Brasil e receber o equivalente a R$ 4.000 de ganhos reais após um ano. Já um europeu perderá dinheiro se aplicar de 100.000 euros em títulos do seu governo, pois, mediante uma taxa real de -0,5%, em média, ele perderia 500 euros por ano.  

Isso significa que o investimento em renda fixa não é atrativo na maioria dos países desenvolvidos. Lá, se os investidores quiserem rentabilidade, eles precisam buscar a renda variável ou aplicações de risco. São mercados onde a compra de ações na bolsa ou o investimento em negócios produtivos reais são muito mais estimulados. Em um ambiente de juros reais baixos, é mais interessante empreender, movimentar a economia e arriscar seu capital do que simplesmente deixar seu dinheiro em ativos conservadores e sem risco.

Juros reais altos podem ser bons para o investidor que quer aliar segurança e rentabilidade, mais certamente são prejudiciais para a economia como um todo. O Brasil, infelizmente, ainda é um reflexo disso.

Esperamos que você tenha aprendido a importância de saber como calcular os juros reais de uma aplicação. Logo, se sua vontade é investir, não perca tempo! Mas antes, confira nossas 7 dicas para um investidor iniciante!