Os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) são títulos de renda fixa que têm obtido crescente destaque no mundo dos investimentos. Eles são um tipo de funding privado dos projetos do agronegócio, setor imensamente relevante para a economia nacional.

No entanto, sem o benefício dos investimentos governamentais, ele busca alternativas viáveis para captar recursos e obter retorno em seus projetos. Bom para o agronegócio e para quem aplica: por fomentar o desenvolvimento de uma área tão importante, o CRA é um título isento de tributação pelo governo.

Por outro lado, por ser uma emissão privada, o CRA não conta com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), como os ativos de lançamento bancário, uma vez que suas garantias são próprias. Os títulos são emitidos por securitizadoras dos direitos creditórios do agronegócio, cujo papel é de intermediadoras na conversão de recebíveis do setor em títulos negociáveis.

Será que o título de investimento em CRA vale a pena? Saiba mais sobre essa escolha!

Na crise surfam as oportunidades

Momentos de crise têm também o viés das oportunidades — como já mencionamos aqui no blog. Em busca de estratégias para alçar o crescimento e superar a crise, setores da economia (como o financeiro, o imobiliário e o agronegócio) emitem os títulos de forma intensa, aumentando a diversidade de ofertas para o investidor e oferecendo títulos a aplicações menores. O que contribui, inclusive, para o aumento da sua liquidez.

Essa emissão, no caso do CRA, pode ocorrer de forma pulverizada ou empresarial. No primeiro caso, mesclando recebíveis de diversas fontes para a expedição de um título.

No segundo, centralizando os recebíveis de um único emissor, para ambos com lastreio de valor em torno de 120% da emissão do CRA, de forma a garantir liquidez diante da possibilidade de inadimplência. Alguns dos recebíveis do agronegócio utilizados são:

  • CDA/WA;

  • Duplicata Mercantil (DM);

  • Duplicata Rural (DR);

  • Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária (CRPH);

  • Cédula Rural Hipotecária (CRH);

  • Cédula de Crédito Bancário (CCB);

  • Cédula de Crédito à Exportação (CCE);

  • Nota de Crédito à Exportação (NCE).

CRA X LCA

Dados da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) mostram que 2015 foi o ano da CRA. De janeiro a dezembro de 2015, o estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) aumentou mais de 300%.

O segredo do sucesso desses títulos de financiamento ao agronegócio tem, em sua raiz, o bom desempenho histórico de sua prima mais famosa, a LCA. Há, entretanto, algumas diferenças. Vamos entender as particularidades de cada papel:

Semelhanças com a LCA:

  • Títulos de renda fixa;

  • Destinados ao fomento do agronegócio;

  • Não possuem incidência de IR.

Distinções:

  • CRA, em geral, exige aporte inicial mais robusto do que a LCA (a maioria das emissões ainda se destina a investidores qualificados, embora, algumas vezes, seja possível encontrar ofertas a todos os investidores);

  • CRA não possui a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC);

  • Baixa liquidez em relação à LCA;

  • CRA: o título pode ser emitido por pessoa jurídica do agronegócio, instituições financeiras e companhias de securitização de direitos creditórios; LCA: o título é emitido exclusivamente por instituições financeiras públicas ou privadas.

O melhor para o seu perfil de investimentos

Há diversidade na remuneração e na periodicidade do pagamento de juros ao detentor de investimento em CRA, o que aumenta sua possibilidade de escolhas, conforme o que for mais adequado ao seu perfil.

Veja mais detalhes sobre isso:

Remuneração

As opções mais frequentes de remuneração do CRA são:

  1. Percentual do CDI (taxa pós-fixada): ideal para momentos de elevação crescente na taxa de juros. Para quem não está muito acostumado com as siglas, vale lembrar que o CDI é um referencial sempre muito próximo à Selic. Se os papéis pagarem 100% do CDI e a Selic estiver em 14%, por exemplo, você será remunerado a percentuais próximos de 14% a.a. Nada mal, não?

  2. CDI + taxa prefixada: mais adequado para momentos de início de reversão de tendência de alta nos juros (tendência de queda iminente). A taxa prefixada garantirá a boa rentabilidade do título, mesmo que haja queda na taxa de juros.

  3. Índices de preços ou inflação + taxa pré-fixada (como IGP-M, IPCA): indicado para investidores focados no longo prazo, que objetivam a preservação de seu patrimônio;

  4. Taxa prefixada: indicado para momentos em que há a previsão de queda mais longa na taxa de juros.

Prazos de investimento em CRA

Quanto à periodicidade, cada opção disponível no mercado apresenta vencimentos diferentes. Em 2015, de acordo com dados da Cetip, o vencimento médio das emissões foi de 2,5 anos (entretanto, é possível encontrar títulos com vencimento acima de 5 anos).

Periodicidade de pagamento de juros

Como cada projeto possui prazos diferentes para conclusão, remunerações distintas e fluxos de custos e receitas diferenciados, a periodicidade de pagamento de juros também varia bastante. A remuneração pode ser feita mensal, semestral ou até anualmente.

Perceba que uma boa estratégia envolve combinar a indexação mais adequada para o momento do mercado (que referenciará a remuneração do investimento), o prazo de vencimento dos papéis e a periodicidade de pagamento de juros. O resultado disso deve, ainda, combinar com o perfil do investidor e os seus objetivos na aplicação.

Esse complexo “jogo de xadrez” do mercado financeiro justifica não abrir mão do auxílio de assessores de investimento com expertise nesses títulos, capazes de cruzar com perfeição as melhores oportunidades do mercado com a formatação ideal a seu perfil e interesses, maximizando seus resultados.

As garantias do investimento em CRA

Além da remuneração, é possível que as securitizadoras ofereçam também garantias reais, tais como safras, propriedades ou o aval do emissor, em caso de emissões empresariais. Assim, de forma fiduciária, os riscos são segregados pelo patrimônio da empresa emissora.

O CRA é uma forma de investimento atrativa e existe há mais de uma década. Nos últimos anos seu uso tem sido mais intenso, tomando corpo enquanto se delineava um momento de crise — atualmente, emissões de primeira linha estão registradas.

Quando o investimento em CRA vale a pena

O investimento em CRA vale a pena sobretudo para investidores de perfil moderado e que desejam permanecer com os papéis até a data de seu vencimento (médio prazo), sem urgência para resgate — ação que esbarrará na pequena liquidez desses certificados e nas perdas financeiras decorrentes da antecipação.

Apesar de existirem desde 2004, foi a partir de 2012 que essas emissões se fortaleceram. Hoje em dia já existem títulos de primeira linha para serem adquiridos (como Fibria, JSL, etc.) e as vantagens dessa aplicação sobre outros produtos de renda fixa são notórias.

Imagine que você aplique R$ 50 mil em um CRA que apenas devolva seu capital aplicado depois de 1 ano com juros referenciados em 100% do CDI. Suponhamos que temos um CDI constante de 14% (por amor à didática!). Teríamos:

CRA: R$ 50 mil * 1,14 = R$ 57 mil

CDB*: R$ 50 mil *1,14 = R$ 57 mil – 17,5%* R$ 7 mil (IR) = R$ 55.775,00.

* Nas mesmas condições de remuneração

Compreendeu como a isenção de IR faz uma aplicação em CRA valer a pena?

A importância do CRA no Brasil

A variedade de riquezas naturais, a extensão do território nacional, bem como as condições climáticas e de solo favoráveis são fatores que nos impõem a necessidade de desenvolver novos mecanismos de financiamento do agronegócio no Brasil. Isso foi feito por meio da Lei 11.076/2004, que criou, entre outros títulos, o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

A ideia fundamental na criação desse e de outros novos instrumentos de financiamento privado na agroindústria (CPR, CDA, WA e CDCA) era o de incorporar os investidores urbanos (investidores qualificados e, mais recentemente, pequenos aplicadores) no suporte à agricultura e à pecuária no país.

O agronegócio é fundamental para o desenvolvimento do nosso país. Mais do que isso, o setor tem assumido, nos últimos anos, um protagonismo indiscutível na economia nacional, mesmo em meio à maior crise econômica da história nacional.

Com implementações tecnológicas que ampliam a produção e reduzem custos e o câmbio favorável à exportação, o setor ignorou completamente a recessão e fechou 2015 como o único setor a apresentar crescimento (1,8%). Em 2016, as perspectivas são de mais crescimento (especialistas estimam números entre 1,5% e 2,2%), com destaque para a produção de soja, que deve ultrapassar a barreira de 100 milhões de toneladas.

Respondendo por 23% do PIB e, aproximadamente, 40% das exportações nacionais, o agronegócio tem sido um oásis de segurança aos investidores e isso explica os ótimos números dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio. Em maio de 2016, as emissões de CRA já haviam superaram a casa dos R$ 4 bilhões — em 2015 foram emitidos R$ 6,4 bilhões em títulos, um recorde desde a sua criação.

É dispensável concluir, portanto, que se trata de uma opção bastante interessante a quem deseja diversificar sua

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