Você já deve ter ouvido falar que os títulos públicos são os principais ativos de renda fixa do país, que eles são muito seguros, possuem boa liquidez e rentabilidade e que, quando bem utilizados, são úteis para estratégias de investimento no curto, médio e longo prazo. Mas você realmente sabe o que são títulos públicos? Quais são suas características e em quais situações os diversos tipos são mais adequados?

Para te ajudar a entender de uma vez por todas o que são os títulos públicos, preparamos este pequeno guia:

O que são títulos públicos?

Títulos públicos são uma espécie de empréstimo que você faz ao governo, recebendo uma nota promissória em troca, que já define quando ele irá te pagar e sob quais condições. Com o valor arrecadado nessa transação, o governo investe nas áreas de infraestrutura, educação, saúde ou simplesmente financia os gastos com a máquina pública.

Os riscos de não pagamento são considerados baixíssimos e avaliados como iguais ou até menores que os da poupança, pois enquanto a poupança fica atrelada a uma instituição financeira específica, os títulos públicos são atrelados ao governo — que também controla as instituições financeiras por meio de suas políticas e normatizações. Isso quer dizer que o risco do país falir e dar um calote na dívida pública é menor que o de um banco, por exemplo, que também depende do cenário macroeconômico.

Renda fixa x Renda variável

A principal característica de um título público é que ele é classificado como renda fixa, ou seja, no ato da compra do título você já conhece quais são os índices e condições que corrigirão o valor até que ele seja pago. Isso não quer dizer que em todos os tipos você saberá o valor final, mas que conhece os índices e pode avaliar suas tendências antes da compra.

Já os títulos de renda variável são como as ações de empresas de capital aberto. Ao comprá-las, você poderá prever lucros ou prejuízos da empresa, mas não terá a certeza do prazo exato, nem de que aquilo ocorrerá. Por exemplo, um acidente ambiental, uma fraude ou até mesmo a má gestão da empresa poderá fazer com que suas ações desvalorizem e não voltem a subir para o mesmo patamar que no momento da compra.

Taxa de juros

O rendimento dos títulos públicos pré-fixados são, em sua grande maioria, associados a taxa de juros básica brasileira, a Selic. Mas, afinal, o que isso quer dizer?

Para entender todo o processo, precisamos compreender como funciona um empréstimo, de maneira geral. Nenhuma instituição emprestará uma quantia se for receber no futuro o mesmo valor. Assim, esta mesma lógica funciona para o mercado de títulos públicos: quando a pessoa física se torna credora do governo federal, a vantagem está em receber este acréscimo na quantia que emprestou. Este lucro, por sua vez, é baseado na taxa Selic.

Porém, isso não quer dizer que o investidor saiba, literalmente, o quanto aquela quantia vai render. Isso porque, mesmo em investimentos de renda variável (ou seja, os que já estão atrelados a taxa básica de juros), não se sabe a porcentagem da Selic ao longo do período da aplicação. Mesmo que se saiba que o lucro virá a partir da Selic, não sabemos, por exemplo, se ela será de 10% ou 14% a.a. Isso, obviamente, interfere no montante total recebido pelo investidor.

É importante saber, ainda, que a taxa de juros influencia diretamente no preço dos títulos públicos. Isso porque, como sua porcentagem não é sabida previamente, há um grande mercado especulativo em torno da taxa Selic. Assim, há uma mudança de preços no mercado de acordo com a expectativa de mudanças nesta porcentagem. Se a taxa diminuir em relação a taxa de juros do investimento, há um aumento em seu preço. No entanto, se ela aumentar, o valor do título público diminui.

E os prazos?

Os títulos públicos sempre têm diferentes datas de vencimento. Isso quer dizer, basicamente, que a rentabilidade daquela aplicação se dará em um dado período, que costuma estar na casa dos anos. Uma das dúvidas mais frequentes é quanto a relação entre este prazo de vencimento com o rendimento da aplicação.

A resposta para essa pergunta é simples: os prazos influenciam, sim, no rendimento de cada aplicação. Isso acontece porque, dependendo da quantidade de tempo que aquele título está no mercado, ele será mais ou menos sensível a taxa de juros brasileira. Como os preços dos títulos são diretamente influenciados por essa taxa, os investimentos com prazos maiores são mais afetados. Assim, títulos públicos com maiores prazos tendem a sofrer mais alterações em seu rendimento. Essas mudanças não querem dizer que o investidor, necessariamente, sairá perdendo. Muito pelo contrário, se seu título vencer em um momento favorável do mercado, seus rendimentos serão muito maiores. No entanto, para saber o melhor momento para comprar e os melhores prazos, é necessário fazer um estudo detalhado do mercado, além de também descobrir quais são suas tendências.

Outro fator importante a ser lembrado, tanto em investimentos de renda variada ou fixa, é que sua remuneração tem como base os prazos de investimento. Dessa forma, se por qualquer razão o investidor precise vender ou resgatar sua aplicação antes da data do vencimento do título, não há garantias de que aquele rendimento será de fato cumprido.

Os tipos de títulos públicos disponíveis

Existem dois tipos básicos de títulos públicos: os prefixados — em que o investidor sabe no momento da compra o quanto receberá por aquele título em seu vencimento — e o pós-fixado — cujo valor é corrigido por um índice econômico (Selic ou IPCA).

Os prefixados possuem dois riscos. O primeiro é que, em caso de alta de inflação ou de juros, o valor nominal pago pelos títulos pode ter uma parte de seus ganhos corroídos pelo aumento da taxa. Isso quer dizer que você não irá perder dinheiro, pois receberá exatamente o valor preestabelecido, mas seu dinheiro perderá valor de compra.

Em segundo lugar, caso o investidor precise se desfazer do título antes do prazo estabelecido, as condições de vendas podem gerar prejuízos ou lucros, dependendo do momento em que a venda será realizada.

Os pós-fixados possuem um risco apenas: se você precisar vender antes do momento acordado, a flutuação dos índices financeiros também pode gerar lucros ou prejuízos que não estavam previstos no momento da compra.

Em todo caso, é importante saber que o programa de compra e venda é atrelado ao Tesouro Nacional e chama-se Tesouro Direto. As operações precisam da intermediação de uma instituição financeira (corretora ou banco), que são credenciadas pelo Tesouro. As transações de compra e venda de títulos podem ser realizadas em qualquer dia útil, e a recompra é garantida pelo Tesouro, que pagará o valor de mercado praticado no dia da recompra.

Características dos títulos públicos

Existem vários títulos públicos disponíveis para aplicação. Veja aqui quais são os principais tipos, e qual mais combina com o seu perfil!

Tesouro Prefixado (LTN)

Nesta modalidade, o investidor sabe que receberá mil reais brutos no momento do pagamento para cada unidade que de título comprado. Isso quer dizer que você precisa calcular no momento da compra se o rendimento real do título será acima da inflação para obter um lucro real e não perder o valor de compra.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F)

Possui as mesmas características do anterior, com a diferença de que a cada 6 meses o investidor receberá uma antecipação dos juros, o que possibilita reinvestir ou utilizar os valores como complementação de renda. É importante observar se há incidência de imposto de renda (IR) de maneira regressiva, o que explicaremos mais a diante.

Tesouro Selic (LFT)

Indicado para pessoas que não sabem exatamente quando precisarão resgatar seus investimentos, o Tesouro Selic é adequado para momentos em que a previsão é de alta na definição da Taxa Selic — a taxa de juros básica da economia brasileira. Seu pagamento ocorre apenas no vencimento, mas o risco de perdas no caso de antecipação de sua venda é considerado muito baixo. Essa é uma boa opção para deixar os valores de sua reserva emergencial investidos e, caso seja necessário, poder resgatar sem maiores transtornos.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)

Corrigido por duas taxas, uma de juros prefixadas e outra de correção garantida a partir da variação da inflação (IPCA), este título é indicado para quem não quer perder o poder de compra com o tempo e ainda ter uma rentabilidade real, dada pela taxa pré-fixada. Ou seja, essa é opção para investidores que possuem um planejamento a médio e longo prazos.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B)

Segue as mesmas características que a anterior, com a diferença de que são pagos cupons semestrais ao investidor, que podem ser usadas para complementar sua renda ou realizar reinvestimentos.

Quais taxas incidem sobre os investimentos?

Existem, basicamente, duas taxas que incidem sobre os rendimentos:

Imposto de Renda

Quanto maior o tempo que você mantiver seus investimentos, menor será a alíquota de Imposto de Renda que você terá que pagar sobre os rendimentos deles, pois ela obedece a uma taxa regressiva:

Prazo -> IR (%)

Até 180 dias -> 22,5%

De 181 até 360 dias -> 20%

De 361 até 720 dias -> 17,5%

Acima de 720 dias -> 15%

Taxa de custódia

Anualmente, é cobrada uma taxa de 0,30% pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) sobre o valor total dos títulos que estiverem em sua carteira.

Você pode calcular os rendimentos em títulos públicos no site do Tesouro Nacional. Clique aqui, acesse a calculadora e realize suas simulações gratuitamente.

Isso é o básico que você precisava saber sobre os investimentos em títulos públicos! Ficou com alguma dúvida? Quer saber qual é o título mais adequado para viabilizar a realização de seus projetos? Então deixe um comentário que nossos especialistas podem te ajudar!

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